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Gustavo Takarada | Psiquiatra

Síndrome do pânico: sintomas, causas e tratamento

A síndrome do pânico, chamada clinicamente de transtorno de pânico, é caracterizada por ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados pelo medo de novas […]

A síndrome do pânico, chamada clinicamente de transtorno de pânico, é caracterizada por ataques de pânico recorrentes e inesperados, acompanhados pelo medo de novas crises ou por mudanças de comportamento para tentar evitá-las.

Durante um ataque de pânico, sintomas como coração acelerado, falta de ar, tremores, tontura ou desconforto no peito podem ser tão intensos que a pessoa acredita estar tendo um infarto, desmaiando, perdendo o controle ou correndo risco iminente de vida.

Ter um ataque de pânico isolado, porém, não significa necessariamente ter síndrome do pânico.

Muitas pessoas apresentam uma ou poucas crises de pânico ao longo da vida, especialmente em períodos de maior estresse. A síndrome do pânico se estabelece quando os ataques passam a acontecer de maneira recorrente e inesperada e surge uma preocupação persistente com a possibilidade de uma nova crise ou mudanças importantes de comportamento para tentar evitá-la.

Com tratamento adequado, os sintomas melhoram de forma significativa.

O que é uma crise ou ataque de pânico?

O ataque de pânico costuma começar de maneira abrupta.

Em poucos minutos, uma série de sensações físicas e pensamentos de ameaça pode atingir grande intensidade.

A crise pode acontecer em diferentes situações: em casa, no trabalho, dirigindo, em locais movimentados ou até durante o sono.

Nem sempre existe um motivo evidente.

É justamente essa combinação de intensidade, início rápido e aparente ausência de perigo que costuma tornar a experiência tão assustadora.

Depois que a crise passa, algumas pessoas ficam exaustas ou permanecem apreensivas durante algum tempo.

Quais são os sintomas de um ataque de pânico?

Os sintomas podem variar, mas frequentemente incluem:

  • palpitações ou coração acelerado;
  • suor excessivo;
  • tremores;
  • sensação de falta de ar;
  • aperto ou desconforto na garganta;
  • dor ou pressão no peito;
  • náusea ou desconforto abdominal;
  • tontura ou sensação de desmaio;
  • calafrios ou ondas de calor;
  • formigamento ou dormência;
  • sensação de que as coisas ao redor não são reais;
  • sensação de estar desconectado de si mesmo;
  • medo de perder o controle;
  • medo de morrer ou de que algo grave esteja acontecendo.

Os sintomas geralmente atingem o pico em poucos minutos e depois diminuem progressivamente.

Apesar disso, a experiência pode ser suficientemente intensa para fazer com que a pessoa procure um pronto atendimento acreditando estar diante de uma emergência médica.

Ataque de pânico e transtorno de pânico são a mesma coisa?

Não.

Essa é uma diferença importante.

Um ataque de pânico é um episódio de medo intenso acompanhado por sintomas físicos e emocionais. Ele pode acontecer de forma isolada e também pode ocorrer em outros transtornos psiquiátricos.

Já no transtorno de pânico, existem ataques recorrentes e inesperados acompanhados por preocupação persistente com novas crises ou mudanças importantes no comportamento.

Depois de algumas crises, a pessoa pode começar a pensar:

  • “E se acontecer novamente?”
  • “E se eu estiver sozinho?”
  • “E se eu não conseguir sair daqui?”
  • “E se ninguém puder me ajudar?”

Nesse momento, o sofrimento deixa de acontecer apenas durante as crises.

O medo da próxima crise começa a fazer parte da rotina.

Por que o medo de uma nova crise pode manter o problema?

Depois de um ataque de pânico, é comum ficar mais atento às próprias sensações físicas.

O coração acelera um pouco e a pessoa pensa que algo está errado.

Surge uma tontura e ela teme desmaiar.

A respiração muda e aparece a sensação de que não conseguirá respirar.

Essas interpretações aumentam o medo.

O medo, por sua vez, ativa ainda mais as respostas físicas do organismo.

Pode se formar um ciclo:

sensação corporal → interpretação de perigo → medo → maior ativação física → mais sensações corporais → mais medo.

Assim, sensações que normalmente seriam passageiras passam a ser percebidas como sinais de uma ameaça iminente.

Por que os sintomas parecem tão físicos?

O organismo possui sistemas automáticos de resposta ao perigo.

Diante de uma ameaça real, o corpo pode acelerar os batimentos cardíacos, modificar a respiração, aumentar a tensão muscular e preparar a pessoa para reagir rapidamente.

É a conhecida resposta de luta ou fuga.

Durante um ataque de pânico, várias dessas mesmas respostas podem ocorrer mesmo quando não existe um perigo externo proporcional.

O problema não é que os sintomas sejam “inventados”.

As sensações físicas são reais.

O que acontece é uma ativação intensa dos sistemas de resposta ao medo associada a uma interpretação de que aquelas sensações representam uma ameaça grave.

O que pode causar a síndrome do pânico?

Não existe uma única causa.

O desenvolvimento do transtorno provavelmente envolve a combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais.

Entre os fatores associados estão:

  • histórico familiar de ataques ou transtorno de pânico;
  • estressores maiores de vida, como a morte ou doença de pessoas próximas
  • eventos traumáticos atuais ou da infância
  • grandes mudanças de vida, como divórcio, desemprego
  • maior sensibilidade às sensações físicas relacionadas ao estresse;
  • padrões aprendidos de medo e evitação;
  • uso excessivo de cafeína ou outras substâncias estimulantes.

Também são estudados mecanismos cerebrais envolvidos na percepção de ameaça e nas respostas de medo.

Esses fatores aumentam vulnerabilidade, mas não significam que uma pessoa necessariamente desenvolverá transtorno de pânico.

Evitar situações pode piorar o problema?

Pode.

Depois de uma crise, é compreensível tentar impedir que aquilo aconteça novamente.

A pessoa pode começar evitando apenas a situação na qual teve o primeiro ataque.

Depois, outras situações também passam a parecer perigosas.

Ela pode evitar:

  • dirigir;
  • pegar trânsito;
  • utilizar transporte público;
  • ficar em filas;
  • ir a shoppings ou supermercados;
  • permanecer em locais fechados;
  • viajar;
  • praticar exercícios que acelerem o coração;
  • ficar longe de hospitais;
  • sair de casa sem companhia.

A evitação traz alívio no curto prazo.

Esse alívio, porém, pode reforçar a ideia de que aquela situação realmente precisava ser evitada.

Aos poucos, a vida pode ficar cada vez mais limitada.

Transtorno de pânico e agorafobia

Algumas pessoas com transtorno de pânico também desenvolvem agorafobia.

Na agorafobia, existe medo intenso de determinadas situações nas quais a pessoa acredita que seria difícil escapar ou receber ajuda caso apresentasse sintomas.

Ela pode sentir necessidade de estar acompanhada para sair de casa ou evitar determinados lugares completamente.

Transtorno de pânico e agorafobia são condições distintas, embora possam ocorrer juntas.

Como é feito o diagnóstico da síndrome do pânico?

O diagnóstico do transtorno de pânico é clínico.

Durante a avaliação, é importante compreender:

  • como são as crises;
  • quando começaram;
  • com que frequência acontecem;
  • se surgem de maneira inesperada;
  • quais sintomas físicos aparecem;
  • quais pensamentos surgem durante os episódios;
  • o quanto existe preocupação com uma nova crise;
  • quais situações passaram a ser evitadas;
  • como os sintomas interferem na rotina.

Também é importante investigar uso de medicamentos, cafeína, álcool e outras substâncias, além da presença de outros sintomas psiquiátricos.

É preciso investigar outras doenças?

Em algumas situações, sim.

Sintomas como palpitações, dor no peito, falta de ar, tremores ou tontura também podem aparecer em diferentes condições clínicas.

Dependendo da história e dos sintomas, pode ser necessário avaliar outras possíveis causas.

Isso é particularmente importante quando os sintomas são novos, diferentes do habitual ou ainda não foram avaliados.

Uma pessoa que apresenta pela primeira vez dor no peito intensa, perda de consciência, falta de ar importante ou outros sinais potencialmente graves não deve simplesmente assumir que se trata de pânico.

Outras condições podem ocorrer junto?

Sim.

O transtorno de pânico pode coexistir com:

  • depressão;
  • outros transtornos de ansiedade;
  • agorafobia;
  • transtorno obsessivo-compulsivo;
  • transtorno de estresse pós-traumático;
  • transtorno bipolar;
  • problemas relacionados ao uso de álcool ou outras substâncias;
  • algumas condições médicas.

Por isso, uma avaliação completa é importante.

Tratar apenas a crise sem considerar o restante do quadro pode deixar aspectos relevantes sem abordagem.

Quais podem ser as consequências do transtorno do pânico?

Quando não tratado, o problema pode afetar diferentes áreas da vida.

A pessoa pode reduzir progressivamente suas atividades por medo de uma nova crise.

Podem ocorrer:

  • abandono de atividades sociais;
  • dificuldades no trabalho ou nos estudos;
  • medo de dirigir ou viajar;
  • dependência crescente da presença de outras pessoas;
  • procura repetida por serviços médicos por medo de doenças;
  • desenvolvimento de agorafobia;
  • sintomas de ansiedade ou depressão;
  • uso de álcool ou outras substâncias para tentar controlar os sintomas.

O impacto, portanto, pode ir muito além dos minutos de duração de uma crise.

Como é o tratamento da síndrome do pânico?

O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou uma combinação das duas abordagens.

A escolha depende da intensidade dos sintomas, das condições associadas, das preferências da pessoa e de outros fatores clínicos.

O objetivo não é apenas impedir uma crise.

O tratamento também busca reduzir:

  • o medo das sensações físicas;
  • a preocupação antecipatória;
  • os comportamentos de evitação;
  • as limitações que foram se acumulando ao longo do tempo.

Terapia cognitivo-comportamental

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens mais estudadas para o transtorno de pânico.

Durante o tratamento, a pessoa pode aprender a reconhecer e modificar interpretações catastróficas relacionadas às sensações corporais.

Por exemplo, perceber o coração acelerado não significa necessariamente que está ocorrendo um infarto.

Sentir tontura não significa necessariamente que a pessoa irá desmaiar.

Essa mudança na maneira de interpretar as sensações pode reduzir a escalada de medo que alimenta uma crise.

Medicamentos

Medicamentos também podem fazer parte do tratamento.

Entre as opções mais utilizadas estão alguns antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN).

Apesar do nome “antidepressivo”, essas medicações também são utilizadas em diversos transtornos de ansiedade.

O benefício costuma surgir progressivamente ao longo das semanas.

E os benzodiazepínicos?

Benzodiazepínicos podem reduzir rapidamente sintomas de ansiedade e pânico.

Entretanto, seu uso exige cautela. Com o uso frequente e prolongado podem ocorrer tolerância, dependência e outros problemas.

Por isso, eles não devem ser entendidos simplesmente como uma solução automática para toda crise de pânico.

Atividade física e hábitos de vida ajudam?

Atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada e redução do consumo excessivo de cafeína podem contribuir para a saúde física e mental.

Essas medidas podem complementar o tratamento.

Entretanto, quando existe transtorno de pânico estabelecido, mudanças de estilo de vida isoladamente nem sempre são suficientes.

Também é importante observar se a pessoa começou a evitar exercícios por medo de sentir o coração acelerar ou ficar ofegante.

Nesse caso, a própria evitação das sensações corporais pode fazer parte do transtorno.

Quando procurar ajuda?

Vale procurar avaliação quando:

  • quando está tendo ataques de pânico;
  • existe medo constante de uma nova crise;
  • você começou a modificar sua rotina para evitar ataques;
  • deixou de frequentar lugares ou realizar atividades;
  • passou a precisar da companhia de outras pessoas para se sentir seguro;
  • os sintomas estão prejudicando o trabalho, estudos ou relacionamentos;
  • existe uso frequente de álcool, medicamentos ou outras substâncias para lidar com a ansiedade.

Quanto mais a vida começa a ser organizada em torno da tentativa de impedir uma nova crise, maior pode ser o impacto do transtorno.

Perguntas frequentes sobre síndrome do pânico

Síndrome do pânico tem cura?

A síndrome do pânico tem tratamento e muitas pessoas apresentam melhora significativa ou remissão dos sintomas. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combinação das duas abordagens, dependendo das características e necessidades de cada pessoa.

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

Uma crise de pânico geralmente começa de forma súbita e atinge seu pico em poucos minutos. A intensidade tende a diminuir progressivamente, embora algumas sensações e o estado de alerta possam permanecer por mais tempo. A duração e a intensidade podem variar entre as pessoas e entre diferentes episódios.

Ter uma crise de pânico significa ter síndrome do pânico?

Como saber se estou tendo uma crise de pânico?

Uma crise de pânico pode causar medo intenso acompanhado de sintomas como palpitações, falta de ar, tremores, suor, tontura, desconforto no peito, náusea e sensação de perda de controle. Como alguns desses sintomas também podem ocorrer em outras condições de saúde, especialmente quando aparecem pela primeira vez ou têm características diferentes do habitual, pode ser necessária avaliação médica.

Quanto tempo dura uma crise de pânico?

Uma crise de pânico geralmente começa de forma súbita e atinge seu pico em poucos minutos. A intensidade tende a diminuir progressivamente, embora algumas sensações e o estado de alerta possam permanecer por mais tempo. A duração e a intensidade podem variar entre as pessoas e entre diferentes episódios.

Ter uma crise de pânico significa ter síndrome do pânico?

Não. Uma pessoa pode apresentar uma crise de pânico isolada sem ter síndrome do pânico. O transtorno de pânico envolve ataques recorrentes e inesperados associados, por exemplo, à preocupação persistente com novas crises ou a mudanças de comportamento para tentar evitá-las.

Quando procurar um psiquiatra para síndrome do pânico?

Vale procurar avaliação quando as crises se repetem, existe medo persistente de uma nova crise ou quando a pessoa começa a evitar lugares, atividades ou situações por receio dos sintomas. A avaliação psiquiátrica também pode ajudar a investigar outras possíveis causas dos sintomas e definir o tratamento mais adequado.

Consulta psiquiátrica para síndrome do pânico

Na consulta psiquiátrica, a avaliação não se limita a identificar se houve ataques de pânico.

É importante compreender como os episódios começaram, quais sensações aparecem, como essas sensações são interpretadas e de que maneira o medo passou a modificar a rotina.

Também podem ser avaliados:

  • ansiedade entre as crises;
  • comportamentos de evitação;
  • presença de agorafobia;
  • sintomas de depressão ou outros transtornos;
  • qualidade do sono;
  • uso de medicamentos;
  • consumo de cafeína, álcool e outras substâncias;
  • condições clínicas que possam estar relacionadas aos sintomas.

A partir dessa avaliação, é possível discutir as possibilidades de tratamento de forma individualizada.

O atendimento pode ser realizado presencialmente em Curitiba ou por consulta online, quando apropriado.

Se o medo de ter uma nova crise começou a limitar sua rotina, uma avaliação pode ajudar a compreender melhor o que está acontecendo e quais são os próximos passos.

Quando procurar um psiquiatra para síndrome do pânico?