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Gustavo Takarada | Psiquiatra

Insônia: sintomas, causas e tratamento

Problemas persistentes de sono merecem avaliação do padrão, hábitos e fatores clínicos, psicológicos e comportamentais associados.

A insônia é uma dificuldade persistente para iniciar ou manter o sono, acordar antes do horário desejado ou ter um sono de qualidade insatisfatória, mesmo quando existem condições adequadas e tempo suficiente para dormir.

Uma noite ruim ocasional é comum e não significa necessariamente que exista um transtorno do sono. A avaliação se torna especialmente importante quando as dificuldades se repetem e começam a interferir na disposição, concentração, humor ou funcionamento durante o dia.

Quais são os sintomas da insônia?

  • demora para conseguir adormecer;
  • despertares frequentes durante a noite;
  • dificuldade para voltar a dormir;
  • despertar muito cedo pela manhã;
  • sensação de sono pouco reparador;
  • cansaço ou sonolência durante o dia;
  • irritabilidade;
  • dificuldade de concentração;
  • preocupação crescente com o próprio sono.

A maneira como esses sintomas se apresentam pode ajudar a compreender o problema e orientar a avaliação.

Quarto à noite representando insônia e dificuldades para dormir

Quando a insônia é considerada crônica?

Dificuldades para dormir podem ocorrer por períodos curtos, por exemplo, durante situações de estresse ou mudanças importantes na rotina.

Na insônia crônica, os sintomas ocorrem pelo menos três noites por semana, persistem por três meses ou mais e estão associados a consequências durante o dia.

A duração, entretanto, não é o único aspecto importante. É necessário compreender o padrão do sono, as repercussões durante o dia e possíveis condições associadas.

O que pode causar insônia?

Não existe uma única causa.

Problemas de sono podem estar associados a diferentes fatores, incluindo:

  • estresse;
  • ansiedade;
  • depressão;
  • mudanças importantes na rotina;
  • horários irregulares de sono;
  • uso de cafeína, álcool, nicotina ou outras substâncias;
  • alguns medicamentos;
  • dor e outras condições clínicas;
  • alterações do ritmo circadiano;
  • outros transtornos do sono.

Em algumas pessoas, um período de estresse desencadeia inicialmente a dificuldade para dormir. Com o passar do tempo, porém, comportamentos adotados na tentativa de recuperar o sono e a própria preocupação em não conseguir dormir podem contribuir para a manutenção do problema.

Esse é um dos motivos pelos quais o tratamento da insônia crônica frequentemente vai além de simplesmente recomendar “dormir mais cedo” ou melhorar a higiene do sono.

Insônia e ansiedade estão relacionadas?

Podem estar.

Preocupações, estado de alerta elevado e pensamentos persistentes podem dificultar o início ou a manutenção do sono. Ao mesmo tempo, noites repetidamente ruins podem aumentar a preocupação sobre conseguir dormir.

Algumas pessoas passam a observar constantemente o relógio, calcular quantas horas ainda poderão dormir ou antecipar como estarão no dia seguinte. Esse ciclo pode aumentar ainda mais a ativação justamente no momento em que se tenta adormecer.

Por isso, durante a avaliação é importante compreender tanto o sono quanto a presença de sintomas de ansiedade e outros fatores que possam estar contribuindo para o quadro.

Como é feita a avaliação da insônia?

A avaliação começa por uma história detalhada do sono.

Podem ser investigados:

  • horário em que a pessoa costuma deitar e levantar;
  • tempo aproximado para adormecer;
  • número e duração dos despertares;
  • diferenças entre dias úteis e finais de semana;
  • cochilos durante o dia;
  • consumo de cafeína, álcool e outras substâncias;
  • medicamentos em uso;
  • rotina de trabalho e atividade física;
  • sintomas de ansiedade ou depressão;
  • roncos, pausas respiratórias ou sensação de sufocamento durante o sono;
  • desconforto ou necessidade de movimentar as pernas;
  • sonolência e funcionamento durante o dia.

Um diário do sono por uma ou duas semanas pode ajudar a compreender melhor o padrão de sono.

Preciso fazer uma polissonografia?

Nem toda pessoa com insônia precisa realizar uma polissonografia.

A necessidade de investigação adicional depende da história clínica e da possibilidade de outros transtornos do sono.

Exames do sono podem ser considerados, por exemplo, quando existem sinais que levantem suspeita de apneia do sono, alterações do ritmo circadiano, narcolepsia ou outros distúrbios específicos.

Portanto, a presença de insônia por si só não significa necessariamente que seja necessário realizar um estudo do sono.

Como é o tratamento da insônia?

O tratamento depende das características e da duração dos sintomas, dos fatores que contribuem para o problema e da presença de outras condições clínicas ou psiquiátricas.

Na insônia crônica, uma das principais intervenções é a Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I ou CBT-I).

Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I)

A TCC-I é um tratamento estruturado especificamente para insônia.

Ela não se limita a orientações gerais de higiene do sono. Dependendo das necessidades de cada pessoa, pode envolver:

  • controle de estímulos;
  • ajuste do tempo passado na cama;
  • regularização dos horários;
  • estratégias para reduzir a ativação relacionada ao sono;
  • trabalho sobre pensamentos e preocupações relacionados a dormir;
  • educação sobre o funcionamento do sono.

Um dos objetivos é restabelecer progressivamente a associação entre cama e sono e reduzir comportamentos que, apesar de parecerem úteis inicialmente, podem contribuir para perpetuar a insônia.

A TCC-I é recomendada como tratamento inicial para adultos com insônia crônica por importantes diretrizes clínicas.

E a higiene do sono?

Hábitos relacionados ao sono são importantes, mas higiene do sono e TCC-I não são a mesma coisa.

Manter horários relativamente regulares, observar o consumo de cafeína e álcool, praticar atividade física e criar condições adequadas para dormir podem contribuir para um sono saudável.

Entretanto, quando existe insônia crônica estabelecida, apenas essas orientações podem não ser suficientes.

Leia também: por que a insônia pode continuar mesmo com bons hábitos.

Medicamentos para dormir

Medicamentos podem ser considerados em determinadas situações, mas sua indicação deve ser individualizada.

Existem diferentes classes de medicamentos utilizados no tratamento da insônia, com mecanismos, benefícios, limitações e potenciais efeitos adversos diferentes.

A escolha depende, entre outros fatores, do tipo de dificuldade para dormir, idade, condições clínicas, outros medicamentos em uso e tratamentos anteriores.

Alguns medicamentos podem produzir tolerância, dependência ou efeitos adversos, e nem todo medicamento que causa sonolência é necessariamente um tratamento adequado para insônia.

Por isso, o uso de medicação deve fazer parte de uma avaliação individualizada e ser periodicamente reavaliado.

Melatonina trata insônia?

A melatonina participa da regulação do ciclo sono-vigília, mas isso não significa que seja o tratamento indicado para todas as pessoas que apresentam dificuldade para dormir.

Sua utilidade depende do problema que está sendo tratado, do horário de administração e de outros fatores.

Por isso, “tomar melatonina” não deve ser considerado automaticamente equivalente ao tratamento da insônia.

Quando procurar avaliação médica?

Vale procurar avaliação quando a dificuldade para dormir:

  • ocorre repetidamente;
  • persiste por semanas ou meses;
  • interfere na disposição ou concentração;
  • prejudica o trabalho ou os estudos;
  • provoca preocupação importante com o sono;
  • ocorre junto a sintomas de ansiedade ou depressão;
  • está levando ao uso frequente de medicamentos para dormir;
  • é acompanhada por roncos importantes, pausas respiratórias ou outros sintomas durante o sono.

O objetivo não é apenas aumentar o número de horas dormidas, mas compreender por que o sono está comprometido e quais fatores estão mantendo o problema.

Avaliação psiquiátrica para insônia em Curitiba e online

Durante a avaliação psiquiátrica, o sono pode ser analisado dentro do contexto mais amplo da saúde física e mental.

Isso inclui compreender o padrão da dificuldade para dormir, sua evolução, medicamentos e substâncias utilizadas, rotina, sintomas associados e possíveis condições que precisem ser investigadas.

A partir dessa avaliação, é possível discutir quais estratégias fazem sentido para cada situação e se há necessidade de tratamento específico ou investigação adicional.

O atendimento pode ser realizado presencialmente em Curitiba ou por telemedicina, quando apropriado.

Conteúdo revisado por Dr. Gustavo Takarada
Médico Psiquiatra — CRM-PR 28.544 | RQE 22.818
Última revisão: setembro de 2026

Sobre este conteúdo: Este material tem finalidade educativa e foi elaborado e revisado por médico psiquiatra com base em referências clínicas e científicas reconhecidas. As informações não substituem avaliação médica individualizada.

Referência para aprofundamento

Edinger JD et al. Behavioral and psychological treatments for chronic insomnia disorder in adults: an American Academy of Sleep Medicine clinical practice guideline. Journal of Clinical Sleep Medicine. 2021. Consultar a diretriz da AASM.